MANIFESTO 11
PARA AÇÃO CORISCA
01
Fazemos ativismo-arte-ciência
Nos interessamos pelas formas de fazer pesquisa no campo da micropolítica, pelas formas da pesquisa na arte contemporânea e pelas formas de fazer pesquisa na ciência, acreditando na potência dos diálogos entre esses fazeres.
02
Praticamos ciência de conduta
Vida e trabalho acadêmico não se separam
03
Não temos cânones
Não há autores/autoras compulsórios
04
Trabalhamos com pessoas detentoras de saber
Do corpo, de si, do comum, de um fazer tecnológico e/ou técnico, filosófico, histórico, artístico, científico. São, em geral, por isso, pessoas que experienciam e constroem uma forma de vida potente, resistente, inventiva, autônoma, auto-gestionária [indígenas, quilombolas, reinadeiros, imigrantes, mulheres, trans, mestres populares, moradores de ocupações]. Compromisso decolonial ao assumir resistência no campo epistemológico. Simpatizamos com as filosofias que tomam a variação, diferença, multiplicidade como fundamento e as que politicamente assumem o decolonialismo do saber, do corpo, das formas de associação nas vertentes latino-americano e africano. Imagem e comunicação, corpo, memória, disputas cosmopolíticas
05
Somos aprendizes nas formas de saber com as quais construímos vizinhanças
Quando dialogamos com sábios desses mundos em nossa ação, estamos recebendo orientação. Nossos trabalhos são feitos em colaboração e co-orientação (1 orientador formado na tradição ocidental de postura fronteiriça pois também é aprendiz em outra tradição + 1 orientador formado em outra tradição de saber não ocidental)
06
Nossa opção preferencial de acercamento aos mundos dos quais nos avizinhamos é a etnografia/incursão etnográfica
Embora muitas vezes essa aproximação não se dê sob a forma de uma pesquisa convencional que reafirme separação sujeito-objeto. O tempo longo, a construção de confiança e de afetos, o engajamento possíveis a partir desta metodologia de pesquisa favorecem relações duradouras que podem começar antes e seguirem para além do tempo dos TCC’s, dissertações, teses, projetos de extensão e outras ações.
07
Nossos trabalhos são experimentais e feitos um a cada vez
Negando o modelo da ciência industrial ou normal. Assumem a indução, a sensibilidade e a participação
08
Nossos trabalhos têm o desafio da forma
A forma do trabalho diz da forma da relação de conhecimento, diz da forma do saber produzida na relação entre mundos, intenta realizar uma mediação sensível com os mundos que descrevem. Nossos trabalhos são mundos que estamos construindo, assumindo a reflexividade pensar-praticar, a ontologia e a pragmática radical em sua feitura. São experimentos de mundos possíveis.
09
Estamos na fronteira de mundos
Nossos trabalhos não são apenas descritores da cosmopolítica, mas assumem-se como fóruns cosmopolíticos – lugar e oportunidade para o encontro de mundos – puxados por nós mas alimentados por um diálogo que é relatado/descrito nos textos escritos, lançando mão dos recursos expressivos, imaginativos e criativos necessários para esse fim.
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Nossos trabalhos primam por extrair potencialidades da tradição de formação ocidental
Tais como registro (audiovisual, escrito), sistematização, rigor, síntese e abstração a serviço de outros saberes e a isso se prestam as nossas escrituras etnográficas, elaboradas a partir de fundamento – experiência viva de relação, afetantes. Também visam colocar nossos privilégios de lugar (universidade) e outros privilégios (econômicos, de cor da pele, de gênero, de classe, de acesso) a serviço dos mundos de nossos interlocutores que são colocados em lugar subalterno e vulnerabilizados por forças políticas opressoras. Os formatos tese, dissertação, livro, relatório em princípio dizem de nossos interesses e objetivos sob as lógicas da formação na tradição ocidental e são assinados autoralmente por nós com todas as responsabilidades assumidas, incluindo o uso da primeira pessoa do singular, mas são sementes para publicações em co-autoria de produções artísticas, políticas e acadêmicas assinadas em colaboração.
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Nosso principal objetivo é produzir corpos e conhecimentos alegres
Produzir cura enquanto produzimos vida, arte, política e ciência.